sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Saudade

Choro a cada palavra que redijo.
Desejo... Saudade...
Dois sentimentos que me atormentam.
Sinto falta de carinho, do teu carinho.
Recordo os momentos em que os nossos corpos se tocaram num tempo tão breve que quase nem deu para saciar a nossa sede de desejo...
Quero perder-me no teu corpo e adormecer nos teus braços depois do prazer, envolvida no teu calor.
Quero sentir os teus lábios colados aos meus e ouvir a tua voz sussurrar ao meu ouvido, fazendo-me estremecer.
Sinto as forças abandonarem-me!
Quero arrancar-te do meu coração, mas não consigo. É mais forte que a razão.
Sou incapaz de amar seja quem for enquanto permaneceres em mim. Sim, porque tu permaneces em mim!
Não aguento mais!... Começo a abrandar... Começo a desistir...
Quis o destino que os nossos caminhos se cruzassem e esse mesmo destino fere-me com crueldade, ao não me deixar estar junto de ti!
Não sei que voz hei-de ouvir...
Não amo nem me deixo amar.
Sinto-me só!
Vejo-me sozinha na solidão das noites frias de Inverno, envolvida na escuridão, procurando conforto, mas não encontro...
Encontro apenas o silêncio e a tua recordação na minha lembrança.
Fecho os olhos para te ver, mas o frio continua.
O sono vence-me...
Adormeço na esperança de um dia ser tua, de me perder novamente no teu corpo e de adormecer nos teus braços...
Ou simplesmente digo adeus ao meu sonho...

Perda

A dor e o sofrimento que transbordaram do teu olhar, fez-me chorar em silêncio na imensidão daquele lugar soturno.
Fitava-te ao longe sentindo o meu coração dilacerado ao ver-te a contemplar o vazio.
Tive o desejo de te abraçar, de estar junto de ti, para te poder confortar neste momento tão doloroso. Mas esse lugar já estava ocupado...
A tua dor é a minha dor também.
Não. Não sei descrever a dor de perder um pai... sei qual é a dor de perder um filho. Sei qual é a dor de perder um ente querido. Sei o que é deixar partir alguém que tem o nosso sangue a correr nas suas veias; alguém que connosco partilhou momentos de alegria e de tristeza. Alguém a quem não conseguimos dizer o último ADEUS.
De repente, parece que todo o nosso mundo desabou.
Sentimos que não conseguimos mostrar e dizer o quanto amamos alguém e sentimo-nos minúsculos.
A amargura apodera-se de nós. Resignadamente sentimos a angústia na nossa alma e lamentamos as nossas mágoas.
Todavia, a nossa vida continua e temos de os deixar partir em paz...
... Para que possam velar por nós e continuem a acompanhar-nos nos momentos de tristeza e de alegria, para que nos encham a alma de luz e de serenidade, para que nos façam acreditar de novo no amor.
Nesta hora de conternação, quero que sintas o meu afecto por ti.
Ainda que o tempo e o espaço nem sempre permitam exprimir os nossos sentimentos, quero que saibas que, mesmo distante, estarei sempre contigo e o teu sorriso estará para sempre na minha lembrança.

Desejo

Trocam-se olhares indiscretos, anunciando o desejo que nos une e nos consome a alma e incendeia o nosso corpo.
O meu corpo anseia pelo dia em que os nossos corpos se vão unir numa louca paixão.
Já não aguento mais!
Inflamam-se os meus sentidos cada vez que penso em ti. Todo o meu corpo estremece.
Fecho os olhos e vejo-te.
Consigo sentir as tuas mãos a percorrerem-me e a acariciarem-me.
Os teus lábios tocam nos meus e selamos o nosso encontro.
Colam-se os corpos, unidos e, como um só, arrebatamos e explodimos prazer.
Que loucura!
Que atracção!
Não consigo resistir. É mais forte que eu...
Até quando vou deixar este desejo continuar a tomar-me o pensamento e a corroer-me?
Sinto que o nosso encontro está para breve e nesse dia deixar-me-ei levar pela loucura...
Nesse dia soltarei o meu grito de liberdade!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Despertar

Sinto-me a despertar de um sono profundo que me consumiu a alma no Inverno sombrio da minha existência.
O Sol começa a romper e a invadir-me todos os sentidos com cheiros, cores e sentimentos primaveris.
Tal como uma flor na Primavera, sinto-me desabrochar. Os raios de Sol acariciam o meu rosto e revejo-me a viver com mais força e plenitude.
Desejos profundos arrastam-se languidamente até ao meu corpo e sucumbo de prazer.
Deixo-me levar por esta loucura, apenas no mais íntimo do meu pensamento e sinto-me livre!
Livre para voar, para projectar os meus sentimentos e os meus desejos em ti. Aqui ninguém me pode deter e eu deixo-me ir, até ficar retida num sonho proibido.
A minha memória sacode o meu corpo e estremeço. Não consigo parar. Estou em êxtase e sinto-me vibrar.
Lentamente recupero para a realidade, viva, feliz por te ter encontrado e por fazeres parte da minha Primavera, onde tudo exala vida e me vejo renascer.
Tudo é possível, tudo se constrói, nada parece aniquilado.
Alguns anos se passaram, vendo passar a minha vida sem a conseguir agarrar...
Todos os meus sonhos se desmoronavam aos meus olhos, tal como os castelos de areia construídos à beira do mar bravio.
O tempo passou e a minha vida estagnou e eu nada podia fazer...
Atrofiada...
Por medo? Cobardia? Amor?
Nem mesmo o amor mais forte suporta tantas desilusões!
A chama apaga-se.
Procura-se novo alento.
Os nossos caminhos cruzaram-se numa tarde de Primavera e tu lá estavas lindo, sereno...
"Quando alguém se cruza no nosso caminho, traz sempre uma mensagem. Encontros fortuitos são coisa que não existe. Mas o modo como respondemos a esses encontros determina se estamos à altura de recebermos a mensagem".
O nosso encontro não foi fruto do acaso.
Que mensagem nos espera?
Estaremos à altura de a receber?
Abandono-me ao sabor destas sensações que emites em mim.
Serenidade... Paixão... Esperança... Vida!...
E renasce assim uma nova MULHER!

Mundo de incertezas

Estou envolta num mundo de incertezas.
Sinto-me cercada como uma presa que não tem para onde fugir.
Vejo-te em toda a parte e não te vejo em parte alguma.
Desespero...
Choro e rio...
Atormento-me e acalmo-me...
Quero-te e não te posso querer...
Sinto dor, sinto prazer...
Prazer ao pensar em ti, ao imaginar sentir o teu corpo colado ao meu.
Deitada na areia escaldante, imagino-me como um rio que desliza as suas águas no teu leito macio, para depois me acalmar na tua foz. Logo de seguida sou lançada ao mar e recomeça a minha inquietude.
Não consigo deixar de pensar em ti. Parece loucura!
Não sei o que fazer.
Preciso esquecer-te, mas não quero.
Eu queria ter-te aqui, queria estar perto de ti...
Porém, só agora os nossos destinos se cruzaram e outros valores se apoderaram das nossas vidas.
O desejo é forte!
Até quando vamos conseguir resistir?
Preciso do teu abraço forte para apaziguar o meu espírito ou para incendiá-lo ainda mais...
Que sensações antagónicas que tenho dentro de mim! Não sei como lidar com elas.
Sinto o teu toque suave a percorrer o meu corpo e sinto as minhas mãos tocarem o teu.
Fecho os olhos e os nossos lábios trocam beijos ardentes de paixão!
Sou interrompida por um despertar que me volta a atormentar e volto a ficar envolta num mundo de incertezas...