Quando os ouvidos dos outros não nos escutam, só nos restam as palavras que saem da nossa mente directamente para o papel... Foi isso que fiz durante alguns anos da minha vida, tão jovem ainda, e que agora tenho coragem de partilhar com quem as quer escutar em silêncio...
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Doce setembro
Despede-se de modo nostálgico o verão, cansado de tanto tentar vingar, crescer, brilhar. Caem as folhas docemente no silêncio da tarde de outono.
Gela o meu coração ao brotarem as lágrimas de despedida através dos meus olhos que, até hoje, iam sorrindo. Sorrisos ténues que fui libertando ao longo destes anos, para esconder a tristeza que me envolvia a cada despedida tua.
São horas... são horas de nos despedirmos mais uma vez agora, não com um “até breve” mas com um “até sempre”, pois não há forma de sermos um só.
Fingi(mos) que fomos, para evitar os olhares indiscretos, palavras mal intencionadas.
Palavras... o mundo é feito de poucas ações e muitas palavras... Palavras que muitas vezes teimam em não sair, que se vão aglutinando ao longo do tempo e que, na hora de sair, mais não sai a não serem as lágrimas provindas de um pranto de mágoa e de cansaço por não ter conseguido ter-te só para mim.
Estou cansada... sinto as forças a esgotarem-se a cada passo que dou ao teu lado. Já não aguento mais. O lugar com que eu tanto sonhei nunca foi meu, não será. Por vezes nem o amor é capaz de fazer vingar um desejo.
Quero gritar e não consigo. Sufoco nas minhas próprias palavras. Não encontro argumentos. Não há argumentos. Apenas há a vida que tem que ser vivida consoante as nossas escolhas.
Poderíamos lutar?
Poderíamos vencer?
À custa de quem?
Seríamos felizes depois?
Tantas perguntas sem resposta! Tanta angústia que me devasta.
Ver-te assim frágil, corta-me aos bocados e morre um pedaço de mim.
Cai a noite... o sono não vem, apesar de os olhos já não se manterem abertos. Mais uma noite sem ti, como tem sido sempre até hoje, mas agora com a esperança adormecida.
Quero ser feliz! Quero andar de mãos dadas na rua, caminhar na areia da praia, abraçar, beijar, amar, amar, amar!
Sei que poderei não vir a amar mais alguém da forma como te amei, mas poderei voltar a amar. Amar serenamente e sem medo de ser crucificada.
Contigo ao meu lado sem estares, tal não era possível. Sentia-me algemada sem o estar, pois ao mesmo tempo nunca me fizeste sentir presa.
Assaltam-me a memória as lembranças dos breves momentos que passei ao teu lado, sempre condicionados pelo tempo.
O tempo... sempre o tempo a controlar, pois não era junto de mim que poderias estar o tempo inteiro. Outras razões que o coração tão bem conhece te levavam para longe de mim.
Vivi assim vários anos pela metade, sentindo-me incompleta de cada vez que tinha de dizer “até breve”.
Agora sou eu... despeço-me em lágrimas no teu regaço. Já não tenho forças para ir em busca da outra metade. Esvazio-me por completo. Estou exausta... já não subsisto apenas com as migalhas. Quero mais... quero começar de novo... quero abrir um novo capítulo.
Deste lindo amor, resta a amizade e a promessa de nunca nos abandonarmos, sem nada em troca, sem exigências, sem cobranças. Apenas e só a amizade...
A cada reencontro as lágrimas teimam em aparecer, o nó na garganta, o coração apertado, como se de folhas de outono se tratasse ao soltarem-se da árvore que outrora lhes deu vida.
E tombam... no doce setembro.
26/09/2015
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Seis anos
Seis anos se passaram desde que as nossas almas se uniram com promessas de amor eterno.
Seis anos plenos de emoções, de risos, de sorrisos, mas também de choro em silêncio a cada despedida, pela dor que vai atravessando os nossos corações e que não deixa o nosso amor vingar inteiramente.
Recordo agora os momentos que passamos juntos, enquanto o temor que me tem perseguido me ataca de novo em fúria, provocando lágrimas de amargura.
Há muito que os meus dedos não rascunhavam, nem a minha mente desenhava palavras obscuras, que me afastam do mundo a que subtilmente me habituaste a viver.
Hoje, seis anos passados, fomos uma vez mais assaltados pela angústia que, de tempos a tempos, teima em invadir a nossa essência.
Sais numa breve despedida e os meus olhos deixam de te ver... marejam-se de lágrimas que me sufocam e me toldam o rosto.
Não sei até quando vou aguentar... só Deus saberá...
Parecia já ter esquecido o quanto dói quando te ausentas assim...
As minhas lágrimas transformam-se agora nestas linhas que escrevo, arrastando-me nesta folha de papel, enquanto as minhas forças quase se esgotam...
Hoje continuo a sentir o desejo de ser feliz, de caminhar ao teu lado ao longo da estrada da vida, sem receios ou temores dos olhos alheios, sem meias verdades que se soltam quando não devo mentir.
Várias são as incertezas que me assaltam a cada hora em que penso em ti e questiono se será egoísmo aquilo que sinto. Tento alcançar as respostas na calada que nos cobre, mas somente recebo o teu silêncio, pois também tu escutas apenas o eco das dúvidas que vão permanecendo no ar...
Não! Recuso esse sentimento, quando no meu coração só uma certeza continua a pairar. A certeza de que te amo, a certeza de que sou humana e que não fico indiferente quando a ausência persiste, quando a saudade teima em permanecer a cada música que escuto e me faz lembrar a tua voz, a cada imagem que recordo na minha memória e que só a nós nos pertence. A certeza de que rejeito apenas a amizade, quando aquilo que nos une é bem mais do que esse sentimento.
Só quero ser feliz e amar-te. Amar-te perdidamente sem este sofrimento atroz!
Vários foram os momentos em que tentei matar este sofrimento. Porém, outro maior desferia no meu peito, sem me deixar sequer respirar, pois perecia uma parte de mim.
Vou ganhando novas forças para continuar o meu caminho, numa peregrinação sem termo à vista.
Seis anos passados, continuo nesta luta que parece não ter fim, a tentar sorrir, quando muitas vezes brotam lágrimas de sangue na minha alma, por querer amar-te livremente...
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Depois do adeus
Depois do adeus a saudade… depois da saudade, a dor… depois da dor, a agonia, o desejo de te abraçar, os pensamentos nebulosos…
A cada tristeza recordo o teu sorriso…
A cada momento de solidão recordo a tua presença…
A cada lágrima recordo o teu silêncio…
Estás presente em cada gesto, em cada palavra, em cada instante da minha vida…
Impossível não te ter! Impossível dizer adeus quando és a minha própria vida, quando morre um pedaço de mim ao viver sem ti que te refletes em cada olhar marejado de lágrimas.
Foram esses reflexos da alma que me golpearam com raios de indecisões, ensurdeceram-me com os seus silêncios, sem as respostas que eu almejava, fulguraram-me inesperadamente no meu refúgio, descalçaram o meu equilíbrio e me precipitaram num mar de tormenta e desordem, submergindo os meus sonhos, fazendo com que dos meus olhos brotassem lágrimas de saudade…
Durante este tempo vivi a tua ausência…
A tua ausência é veneno que vai matando, é a solidão que me vai destruindo, é o tempo cruel que não passa para que possa ver-te outra vez.
E ao ver-te tenho a certeza de que não consigo viver sem ti, não conseguimos dizer adeus…
Porque depois de cada despedida, dos nossos encontros sob a luz das estrelas, nossas almas se encontram sempre e por esse momento sempre sonhamos.
E depois do adeus retomamo-nos nos braços e vivemos de novo o nosso amor…
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
Morre um pedaço de mim
Morre um pedaço de mim…
Embriago-me com o teu encanto que paira por todo o local que visito nas minhas lembranças. Inebria-me o som da tua voz, as tuas palavras sábias que se soltam dos teus lábios e que sequiosamente eu bebo.
Morre um pedaço de mim, de cada vez que eu penso que não voltarei a beijar a tua boca, que não poderei entrelaçar os meus dedos nos teus cabelos com a intensidade do carinho que sinto por ti, que não tocarei o teu corpo que estremece de desejo quando nos aproximamos, que não nos perderemos novamente nos braços um do outro.
Morre um pedaço de mim por cada passo que dou sem te ter ao meu lado, por cada olhar que se cruza com o meu, por cada sorriso que se esboça num rosto e que não é o teu.
Morre um pedaço de mim por ver que te tive sem te ter, que passaste as noites comigo apenas em pensamento, que secaste as minhas lágrimas, ainda que a distância nos separasse, que me fizeste sorrir quando achava que já não havia motivos para sorrir, por saber que estás, mas não estás por inteiro.
Morre um pedaço de mim ao pensar que afinal me contentei com as migalhas que me foram sendo atiradas, com os momentos únicos que passámos e que sempre foram esquartejados pela hora do até breve.
Morre um pedaço de mim ao pensar que os planos e os sonhos só a mim me pertenciam, apesar de também estar presente no teu pensamento, pensar que sempre haveria amanhã, mas que não caminharias ao meu lado e que eu seria uma sombra.
Morre um pedaço de mim ao pensar que demorámos uma eternidade a encontrar-nos e que agora a razão nos obriga a dizer adeus, porque nos encontrámos tarde de mais.
Morre um pedaço de mim ao pensar que afinal o coração tem razões que a razão tão bem conhece e que por vezes só o amor não chega para ultrapassar as barreiras dos homens.
Morre um pedaço de mim ao saber que o meu coração é só teu, que jamais irei amar alguém como te amo, que haverá poucos seres como tu, que não viverei as emoções que me fizeste sentir, que dificilmente encontrarei alguém que me compreenda apenas pelo timbre da voz, ou por um gesto ou pelo olhar. O olhar que nos uniu e que agora nos vê afastar.
Morre um pedaço de mim ao percorrer as minhas memórias, ao recordar-te em cada canto, em cada som ou em cada manifestação por mais simples que seja da natureza, em cada brisa, em cada raio de sol, em cada luar.
Ai o luar! O luar que nos enfeitiçou, que nos preencheu com retratos de amor e que nos juntou num abraço.
Morre um pedaço de mim ao recordar esse abraço que iniciou a nossa história e que agora lhe dita o atroz final.
Morre um pedaço de mim ao sentir que uma parte da minha alma abalou contigo e que não sei se algum dia a poderemos unir, para sermos felizes por completo.
Morre um pedaço de mim ao viver a ansiedade de imaginar se algum dia os nossos caminhos se irão cruzar outra vez, sem termos trevas que nos atormentem ou razões que nos façam abdicar do nosso amor.
Morre um pedaço de mim ao tentar juntar os estilhaços do meu coração que não tem sossego e que teima em fazer-te persistir em mim.
Morre um pedaço de mim por cada grito que me sai das entranhas, por cada lágrima que escorre pelo meu rosto, outrora alegre e agora toldado pela tristeza que assombra a minha alma.
Morre um pedaço de mim ao tentar fechar o livro da nossa história que ainda tem tantas folhas para escrever, tantas palavras por dizer, por ficar gravadas e que agora só nos resta a dor para chorar.
Morre um pedaço de mim ao fazer um luto que não desejava…
Morre um pedaço de mim, mas não morre o meu amor…
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Destino...
Quis o destino que nesta data o nosso amor fosse selado...
Quis o destino que hoje não estivéssemos juntos para a celebrar...
Quer o destino que longe ou perto a nossa lembrança não a olvide...
Quer o destino que volvidos três anos me assaltem a memória as tardes de domingo solitárias, as noites que passo sem te ter ao meu lado, os aniversários e Natal que partilhamos apenas em pensamento...
Tento rebuscar as palavras para definir aquilo que sinto. Flutuam à minha volta, brincam às escondidas no meu pensamento. Tento apanhá-las, mas não sou capaz, pois sinto cada vez mais as forças a fugirem, como se de areia se tratasse quando apertada entre os dedos...
Tudo ao meu redor evoca a tua presença: a música que escuto, o calor do sol beijando a minha face, o vento acariciando o meu cabelo, o sussurrar das ondas num vai e vem desconcertante.
Recordo-nos perdidos nos braços um do outro, sorvendo o sal das lágrimas que escorrem dos nossos olhos, fundindo-se numa só lágrima que nos pertence. Assaltam-nos pensamentos sem rumo certo, desembocando num beco sem saída ou numa estrada tumultuosa, fazendo sair gritos de dor do peito, que sangra a cada palavra que se diz, a cada silêncio que se sente...
Quererá o destino que continue a amar-te em segredo, sem certezas, com o futuro almejado apenas em sonhos?
Quererá o destino que chore a tua ausência nas longas noites em que abraço apenas a tua lembrança, nos domingos em que passeio sem ti ao meu lado, nas noites de natal em que anseio abraçar-te e dar-te todo o meu amor?
Quererá o destino que estremeça todas as vezes em que escuto uma porta abrir-se, vislumbrando o teu terno semblante a entrar na minha vida?
Quererá o destino que reprima o meu grito que quero lançar ao vento a clamar o quanto te amo?
Tantas perguntas no ar, tantas questões por responder...
Não sei se alguma vez conseguiremos a resposta...
Enquanto as respostas não alcançar, quero apenas ter tempo...
Tempo para poder descansar do peso da dor que trago no meu peito.
Um tempo onde possa chorar sozinha, livremente, para depois, mais leve, poder secar o meu rosto e lutar novamente.
Lutar por um destino...
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
A dor da perda
O dia adivinhava-se sereno, com os raios da manhã despontando por entre a ténue neblina que pairava no ar. Estava uma manhã fresca quando a minha dor esmoreceu um pouco ao encontrar o teu semblante calmo naquele lugar de paz soturna. A minha alma encontrou a tua no abraço que trocámos longe dos olhares indiscretos.
O corpo que te deu vida jazia agora no sossego eterno e reinava o silêncio naquela sala onde ecoava o som da nossa respiração profunda.
À medida que a hora da despedida se aproximava era meu desejo estar ao teu lado, para te confortar neste doloroso momento, para apaziguar a tua alma e poderes partilhar as tuas mágoas. Mas esse lugar já estava ocupado, embora esse se apresentasse apenas na minha imaginação. Sei que se visse, a dor seria dilacerante e poderia parecer egoísmo meu querer-te só para mim...
Apesar da distância física que por vezes nos separa, os nossos corações estão unidos em todos os instantes, embora tal atormente a minha existência, pois cada vez mais preciso do teu regaço para recolher as minhas lágrimas que escorrem de cada vez que penso que não posso mostrar ao mundo que estou ao teu lado e que te pertenço como um todo.
Agora que a hora do adeus já não pode mais esconder-se por detrás dos prantos, vislumbro no meu pensamento o teu olhar triste, outrora vibrante, pedindo que fique calma, para que possas também ficar tranquilo.
Sinto-me calma embora não possa fazer desaparecer a dor que contigo comungo, pois o teu sofrimento é o meu também.
Nesta hora de consternação apenas quero dedicar-te esta singela homenagem, mostrar o meu carinho por ti e dedicar-te todo o meu amor, almejando que a coragem e a determinação não te abandonem em nenhuma altura da tua vida.
Amo-te com toda a força da minha alma!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Heroes & Saints - Nicolaj Grandjean
Anseio os teus beijos ternos que me levam ao infinito do meu amor por ti e me permitem uma plena entrega até cair de prazer nos teus braços...
Anseio sentir as tuas mãos, os teus dedos percorrendo o meu corpo que estremece a cada toque suave, como se uma melodia se entoasse...
Ouço o hino do nosso amor na frescura dos lençóis que aquecem à medida que os nossos corpos se agitam...
Sinto por vezes um aperto no peito quando ouço a tua voz e imagino como seria se não a ouvisse mais... Brotam lágrimas dos meus olhos e choro em silêncio... Por mais que sufoque o meu choro, tu ouves o meu grito de desespero.
Como poderia eu viver sem ti?
Como poderia eu sorrir sem ver espelhado o teu sorriso?
Como poderia eu amar sem ouvir a tua voz que me acalma assim que a escuto?
Não consigo parar de chorar só de pensar na possibilidade de alguém me querer nos seus braços e eu não te poder ter mais!
Teimam as lágrimas em escorrer pelo meu rosto e a molhar a almofada que ainda possui o teu odor. Mutila-me o pensamento de ter um grão de areia, sabendo que poderia ter o deserto para caminhar...
Tento acalmar o meu pranto e dormir o sono descansado que te prometi. Enrosco-me nos lençóis que já nos acolheram e fecho os olhos de mansinho para que o sono nos cubra de paz e o dia de amanhã traga o raiar de uma nova esperança.
As tuas palavras conseguem serenar o meu coração atormentado pelas emoções que absorvem as minhas forças. Não as forças do meu amor por ti. Esse cresce a cada dia que passa. Cresce nem que seja pela ternura de um olhar que expressa todo o sentimento que vai dentro das nossas almas.
Mas faltam-me as forças...
Custa-me gritar por socorro e ouvir apenas o eco da minha voz...
Custa-me mentir ou ocultar a verdade àqueles que mais amo...
Custa-me não ter os braços do meu amado a dar-me carinho quando chego a casa, depois de um dia de trabalho, ou apenas que me abracem para me dar conforto.
Dói-me cada vez mais a hora da despedida, ainda que seja por pouco tempo...
Dói-me ainda mais pensar se não mais houver despedida...
Tento abandonar estes pesares e deixo a frescura dos lençóis tocarem-me com a subtileza do teu odor delicado que ficou gravado no leito que acolhe os nossos corpos, nos momentos em que nos entregamos ao nosso amor desenfreado e belo. Permito-me entregar a este estado de deleite enquanto o sono me toma levemente nos seus braços, anunciando uma noite tranquila, depois do dia me ter trazido algumas memórias menos prazenteiras...
Escuto a tua voz que entoa suaves melodias no meu ouvido...
Sinto o calor da tua respiração percorrendo a minha pele, que se arrepia a cada passagem pelos recantos do meu corpo que sempre te anseia.
E assim me deixo embalar nos meus sonhos de menina-mulher, que aguarda pela madrugada que se aproxima, abraçando a tua lembrança e escutando o eco do meu pensamento que apregoa: AMO-TE!
sábado, 27 de março de 2010
Quanto mede o meu amor...
Amo-te demais para deixar este amor partir…
Amo-te demais para ser apenas tua amiga…
Amo-te demais para ser a tua amante…
Amo-te com uma força capaz de me fazer feliz por ser tua, mas de me fazer chorar por não seres meu…
Amo-te demais para me esquecer do mundo quando nos entregamos aos momentos que descontrolam os nossos corpos e consomem as nossas almas.
Prostro-me aos teus pés, ainda que não estejas junto de mim… escondo-me no recanto dos meus pensamentos, tentando por vezes em vão fugir à imagem que me assombra nas noites frias, quando te vejo esmorecer nos braços, a beijar a boca ávida, a aquecer o corpo que não é o meu…
Escorrem-me as lágrimas que não vejo… caem-me dentro do peito e magoam.
Conto os minutos para escutar a tua voz que me torna a acalmar e faz dissipar em mim essa imagem que me atormenta. Agora não é mais que um fumo que vai esvanecendo com o sopro leve de uma brisa de uma manhã morna de Verão, ao beijar as planícies húmidas de pérolas que a noite fresca deixou ficar.
Renuncio aos homens que me cercam numa avidez de abutres que aguardam ansiosamente a carcaça enjeitada.
Amor? Paixão? Desejo apenas?
Sei lá…
É apenas a ti que eu amo…
E não sei quanto mede o meu amor…
Amo-te demais para ser apenas tua amiga…
Amo-te demais para ser a tua amante…
Amo-te com uma força capaz de me fazer feliz por ser tua, mas de me fazer chorar por não seres meu…
Amo-te demais para me esquecer do mundo quando nos entregamos aos momentos que descontrolam os nossos corpos e consomem as nossas almas.
Prostro-me aos teus pés, ainda que não estejas junto de mim… escondo-me no recanto dos meus pensamentos, tentando por vezes em vão fugir à imagem que me assombra nas noites frias, quando te vejo esmorecer nos braços, a beijar a boca ávida, a aquecer o corpo que não é o meu…
Escorrem-me as lágrimas que não vejo… caem-me dentro do peito e magoam.
Conto os minutos para escutar a tua voz que me torna a acalmar e faz dissipar em mim essa imagem que me atormenta. Agora não é mais que um fumo que vai esvanecendo com o sopro leve de uma brisa de uma manhã morna de Verão, ao beijar as planícies húmidas de pérolas que a noite fresca deixou ficar.
Renuncio aos homens que me cercam numa avidez de abutres que aguardam ansiosamente a carcaça enjeitada.
Amor? Paixão? Desejo apenas?
Sei lá…
É apenas a ti que eu amo…
E não sei quanto mede o meu amor…
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
30 de Agosto - Data Mágica…
Hoje celebramos o dia em que o nosso amor se manifestou em toda a sua plenitude, como quem navega em busca de um tesouro há muito perdido, escondido no tempo e sente a magnitude de o ter encontrado.
Recordo-o com a suavidade do toque das rosas na minha pele, com a luz frágil descobrindo os nossos olhares, com a música suave que calava as nossas vozes já mudas pelos beijos que percorriam os nossos corpos, enquanto estes mergulhavam na água tépida que ia acalmando a tremura da emoção.
Recordo cada momento em que nos pertencemos por inteiro.
Fecho os olhos e ouço o som dos acordes que me levaste a conhecer em pautas nunca antes lidas…
Consigo sentir os teus dedos percorrendo suavemente o meu corpo em carícias que se misturam com o toque aveludado das pétalas das rosas que perfumavam delicadamente o meu corpo desnudado, iluminado pela ténue e trémula luz das velas…
São tantas as sensações que despertaste em mim…
Ouvi sons que nunca antes ouvira…
Ensinaste-me a escutar as músicas com sentimento…
Chorei quando queria sorrir…
Sorri para não chorar…
Falei… fiz juras de amor apenas com o olhar, sem nada dizer, porém ambos conhecemos essa linguagem.
Assim que os nossos olhares se cruzam, mergulho na taciturnidade das nossas vozes que emudecem logo que os nossos lábios se tocam e nos fazem estremecer a paixão. Deixo-me envolver nas nossas longas conversas mudas que expressam o mais íntimo dos nossos sentimentos. Não precisamos muitas vezes das palavras e entedemos pela sintonia aquilo que nos vai na alma. Apenas pelo olhar… só pelos olhos nos escutamos, ainda que as nossas bocas se encerrem às palavras mais banais.
Ficamos em silêncio…
Debatemo-nos com o fogo da paixão que consome e esgota os nossos corpos colados, sem sabermos onde começa um ou termina o outro, até que o êxtase nos faça parar para nos deixarmos cair nos braços um do outro, agora em sossego.
Com promessas de ternura fomos acolhidos pela noite que nos envolveu nos seus braços de luar.
Assistimos a espectáculos únicos sem nada programar. Olhámos as estrelas que nos cobriram com o seu manto cintilante, deitados na areia fina, tendo só a Lua a vigiar-nos com o seu magnífico esplendor e o mar com as suas águas de prata.
Hoje, que celebramos o dia em que o nosso amor se consumou, vêm-me à memória os sentimentos que me assaltaram a alma, ora dando-me paz, ora trazendo-me a amargura que julgava ter-se apartado…
Tive saudades… angustiei-me com a tua ausência.
Desejei-te em cada encontro; perdi-me nos meus lençóis, buscando o teu corpo quente, mas só encontrei o frio deixado pelas longas madrugadas em que tu não estavas.
Senti ciúmes sem ter direito a tê-los e desfiz-me em prantos de dor, encontrando consolo nos meus braços, quando queria apenas o teu abraço.
Passou de cada vez que te tive…
Voltou de cada vez que abalaste e escutei apenas o lamúrio do eco do meu brado que gritava na solidão da minha essência.
Por entre as estrelas que brilham no firmamento da noite que se anuncia, após o prenúncio do pôr-do-sol no horizonte, vejo escrito o maior sentimento que me enche nos dias em que me sinto amada.
Alimento-me dele, sugando-o até às entranhas, tentando olvidar que não é só a mim que pertences, criando um mundo onde existimos só os dois, sem os olhares reprovadores.
Embarco velejando nas tuas águas calmas e sinto-me navegar novamente em busca do nosso tesouro, neste dia em que celebramos o nosso amor…
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Perguntas sem resposta
Correm serenas as águas do rio, enquanto se agitam as lágrimas que me escorrem no rosto sem a tua foz para mas amparar.
Tento procurar o meu caminho sem rumo ao teu lado, encontrando-o por breves momentos esculpidos no nosso mundo secreto.
Será só a mim que ele pertence?
Procuro refúgio no silêncio das águas que acolhem o meu pranto, quando me sinto à deriva sem avistar o teu porto, que me deixa repousar mansamente para acalmar a minha alma.
Escuto no meu pensamento as dúvidas que me assaltam, os sentimentos que não tenho o direito a sentir, pois nada te posso exigir. Escuto as lembranças que me trazem de volta a nostalgia.
Dou por mim a questionar-me sobre os teus pensamentos, quando te entregas a quem te recebe ao fim do dia. Em quem pensas? Por onde devaneias enquanto os teus dedos passeiam na pele daquela que te tomou antes de mim?
Sinto dilcerar o meu peito cada vez que concebo outros braços a envolverem o teu ser, quando imagino outro corpo colado ao teu, outros lábios beijando a tua boca ávida de desejo, sempre que chega a noite que não mais ilumina o meu caminho com as suas estrelas, mas me enegrece e me faz gelar.
Quebro-me em estilhaços, cada vez que a vejo no encalço da tua sombra, partilhando o teu espaço, seguindo os teus passos na penumbra da noite que se anuncia, esperando-te no teu leito, fazendo-te chegar o calor que eu queria que fosse o meu.
Invadem-me, envenenam-me, incendeiam-me os ciúmes que não deveria sentir!
Enebrias-me com a tua presença e prostro-me a teus pés, sentindo-me presa sem estar amarrada e chorando sempre que se aproxima a despedida.
Dói cada vez mais a despedida!
Um aperto na garganta deixa soltar um breve sorriso que quer chorar, quando te ouço chamar-me “querida amiga”, quando eu queria muito mais e me pergunto se serei a tua única querida amiga, da forma como o sou…
Agudiza-se a minha dor!
Sinto esse aperto que sufoca o grito que quer soltar-se da minha alma, bramando o quanto te ama, sem medo ou receio de ser condenada.
Todos estes sentimentos e pensamentos me assaltam, sem eu ter o direito de os sentir, porém sinto-me cada vez mais tua, sem o ser… Ou serei?
Cobre-me a noite com o seu manto frio e escuro.
Noite de Verão que me entorpece os sentidos e fecho os braços, na esperança de te poder abraçar, mas apenas encontro o vazio da tua ausência que agora me preenche.
Volto a sentir-me desamparada, sem o estar, pois sei que estás, mesmo não estando…
Estarás?
Regressa a melancolia e com ela adormeço numa paz inquieta que somente me traz o som do eco das minhas questões sem resposta.
Escuto o sussurro dos momentos em que nos seduzimos e entregamos sem pudor, onde os beijos são incansavelmente trocados e apenas interrompidos pelas carícias que se espalham pelos nossos corpos, deslizando com as nossas mãos que se entrelaçam em longos apertos suaves.
São estes os instantes que nos pertencem, no mundo escondido e secreto onde nada mais entra a não ser a nuvem da despedida que chega apressadamente, na languidez que toma conta dos nossos corpos.
Encobre-se de novo o céu que me iluminou.
Tornam as dúvidas, as questões, as lágrimas, a nostalgia…
Sem resposta…
Tornam as águas a correr serenas na quietude dos dias que se prenunciam, enquanto a agrura toma conta de mim e me faz padecer, sempre que a noite cai…
segunda-feira, 9 de março de 2009
Quantas vezes...
Volto hoje aqui depois de uma longa ausência que me afastou deste local, onde tantas vezes despejei as minhas mágoas, quando sentia morrer lentamente o meu ser, como quem seca uma flor por entre as páginas de um livro.
Abro ao acaso esse livro, onde contemplo essa flor que jaz serena, corpo sem vida, páginas inacabadas...
Quantas vezes eu senti o desassossego, enquanto a minha seiva era levada junto de ti, sempre que te via partir, depois dos momentos em que os nossos olhares faziam juras de amor, nos nossos olhos marejados.
Quantas vezes me senti ressuscitar mais um pouco, sempre que os nossos lábios se tocavam e os nossos corpos se envolviam em longos e mudos abraços. Quantas vezes eu senti a falta do teu regaço que acolhe o meu pranto, antes que a nostalgia tome conta de mim. Volto hoje aqui... depois de vasculhar os meus rascunhos escondidos, perdidos no tempo.
Reencontro nele um momento que me dilacerou em pedaços, no dia em que me levaram parte da minha essência.
Recordo nele mais um momento em que te queria ter ao meu lado, como em tantos outros momentos.
Quantas vezes chego a casa e apenas escuto o eco dos meus passos no vazio da tua ausência...Quantas vezes me deito no meu leito e apenas o frio dos lençóis me espera, nas longas noites que passo sem o teu calor...Sofro com a dor de te perder sem nunca te ter perdido e sem nunca te ter ganho, pois não és meu por inteiro.
Despedida atrás de despedida. Um adeus. Um até breve. Uma interrupção...
Um sorriso a disfarçar uma lágrima que teima em brotar dos meus olhos.
Um sorriso que tapa o grito que não pode sair do meu peito...Uma breve gargalhada em vez do choro, por não poder bramar o quanto te amo sem receio que ouvidos indiscretos ouçam o que sinto por ti.
Quantas vezes seguro este soluço que quer dizer o quanto te quero e que não saberia viver sem ti...
Volto hoje aqui.
Quantas vezes mais?...
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Amo-te
Somos brindados pelo sol que aquece os nossos rostos enternecidos, no final de tarde que nos espera na praia erma, no anúncio do Outono que se aproxima mansamente na quietude dos meus dias.
É chegada a hora de experimentar o abandono do peso das desilusões para que o vento se encarregue de as apartar para bem longe.
É chegada a hora de colher o que já amadureceu e deixar vingar as emoções que afloram a cada dia e de sorver o instante que traz a mais pura semente germinável, que me transforma ao sentir o seu toque suave.
É sob essas emoções que escutamos o lamurio das vagas que se agitam contra as rochas num capricho imparável, que nos apazigua a alma e interrompe o nosso silêncio. O seu rumor traz-me a tua respiração que me segreda ao ouvido, sem as interferências da mente, sem os pensamentos que me anulam.
A paz e a ternura que se espelham no nosso olhar, dizem sem palavras aquilo que sentimos.
Sinto o meu coração a dar tréguas quando estou envolta nos teus braços, ainda que as lágrimas brotem dos meus olhos. Já não são, porém, lágrimas de dor; são lágrimas que limpam a minha essência, que nascem pela emoção dos meus sentimentos.
Sentimentos… palavras para quê, quando sabemos o que sentimos, quando o silêncio do nosso olhar se incumbe de os expressar?
No meio de tantos sentimentos confusos que me assolaram, este acalma-me e sossega-me.
Quantas vezes pensei que amava, quando afinal o que me consumia era o fogo da paixão e a ânsia de ser amada… Sentia-me viva enquanto ardia… Morria lentamente quando se extinguia. Restava a palidez esculpida no meu rosto por mais uma desilusão que tomava conta de mim.
Gritava por auxílio a minha alma. Já quase não tinha forças para continuar a clamar e abandonei-me, deixando-me vencer pela dor lancinante que me tomava e pela desilusão que habitava no meu ser.
Quando apenas ecoava o apelo mudo na minha alma, surgiste docilmente com um sorriso nos lábios, um brilho nos olhos, com a promessa de me dar a paz que procurava, até quase me esgotar para seguir no seu encalço.
Cumpriste com a tua promessa, enquanto o meu sentimento por ti se multiplicava a cada dia que passava, a cada recordação do toque suave de uma rosa a percorrer a minha pele, a cada gosto dos beijos profundos, a cada perfume inalado, a cada carícia lembrada com ternura…
Vi os dias passarem e crescia em mim uma ânsia. Uma ânsia de ficar ao teu lado num local só nosso, onde os olhos mundanos não nos abrangessem, onde só a Natureza nos rodeasse e nos brindasse com os seus cheiros, os seus sons, a sua beleza inigualável. Desse local eu não queria partir…
É nesse local que me proteges e onde finalmente me sinto amada, onde nos olhamos e ficamos por vezes em silêncio, transparecendo nos nossos olhos aquilo que nos vai na alma.
No meio de tantas palavras, ainda tanto resta para dizer…
O sufoco que me aperta a garganta aumenta à medida que os ponteiros do relógio avançam apressadamente perseguindo a noite que prenuncia a despedida.
É sob o olhar terno das estrelas que se liberta dos meus lábios a palavra que traduz aquilo que sinto por ti, que cresce a cada momento que passamos ou mesmo quando estamos ausentes. Uma só palavra basta para expressar um sentimento tão nobre.
São por vezes as palavras mais simples que negamos pronunciar, pelo temor da derrota que nos invade o pensamento.
Desprendem-se dos nossos olhos lágrimas que banham os nossos rostos, misturando-se num abraço demorado que vem sustentar o que as nossas bocas proferiram.
Fica no ar o alívio por termos soltado o que julgávamos bastar aos nossos olhos dizer, sempre que os nossos olhares meigamente se cruzavam.
Melicamente escuto agora na minha lembrança, no aconchego do ninho que já nos acolheu, a palavra que faz transparecer o mais nobre dos sentimentos: AMO-TE…
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Saudade e Paz
É noite.
Cobre-me um manto de estrelas na praia deserta que já nos acolheu, enquanto se passeiam por mim os pensamentos nostálgicos que te trazem à minha lembrança. Adivinha-se a minha partida do local onde selámos o nosso encontro.Tudo me faz recordar de ti… a Lua que reflecte o seu encanto de prata sobre o mar, que sussurra os segredos que nem todos sabem entender, que me lembram o teu olhar que fita o meu com ternura, sem palavras pronunciarmos, mas dizendo tudo o que nos vai na alma; o brilho das estrelas que me lembram os teus beijos cheios de carinho; a areia fina e fria que me acolhe agora sozinha, sem a tua presença. Nela me aconchego e imagino os teus braços que me prendem no teu calor. Fecho os olhos e inalo o odor que traz até mim o teu cheiro, ouço o murmúrio das vagas que me traz a tua respiração…
Vives em mim.
Qualquer pensamento me leva até ti e sinto uma paz invadir o meu peito.
Transpiro música com o toque suave dos teus dedos sobre a minha pele.
Habitas em cada pedaço da minha existência.
Pertences-me sem me pertenceres…
Fazes parte da nova mulher que nasceu em mim.Sou flor que brota viçosa no jardim que começaste a cuidar. Alimentas-me a cada dia com o teu carinho, renovo-me a cada momento com as recordações que persistem no meu pensamento.
É com essas recordações que regresso ao meu leito que me espera uma vez mais vazio, caminhando placidamente entre o ruído e a pressa, lembrando-me da paz que reside no silêncio emanado dos nossos olhares.
Já não me sinto a vaguear solitária no meio da multidão, pois sei que mesmo ausente permaneces no meu coração, sem precisar de me renunciar para poder amar.As lágrimas que por vezes teimam em rolar pelo meu rosto, apenas me lembram as emoções e os sentimentos que residem em mim e que se espelham no nosso terno olhar.
Não sinto mais tristeza ao ouvir a chuva a cair. Escuto agora a sua suave melodia que canta na vidraça da minha janela que quer abrir-se de novo, para que eu possa sentir o vento soprar de mansinho e percorrer todo o meu corpo, renovando-me a cada passagem da brisa morna.
Vivo cada momento inspirando-me em cada som, em cada odor, em cada toque, em cada olhar…
Sinto-te em cada música que escuto, em cada palavra que redijo, em cada cor eu vejo, em cada pétala que roça a minha pele…
Sigo com estas sensações no encalço da paz que me trouxeste e com a qual me envolvo agora nos lençóis que me esperam nas noites calmas.
Adormeço com a saudade no meu peito e a paz na minha alma…
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Cinzas
Foste rascunho de uma história que vivi num sonho que só a mim pertenceu. O fogo que um dia lhe lançaste queimou-o sem dó e dele apenas restam as cinzas que lentamente o vento vai afastando de mim com a sua aragem suave.
Perdi a razão…
Vesti a pele de menina que já não sou e deixei-me levar por uma quimera onde tu não querias estar.
Promessas não fizeste, mas pairou a esperança… a esperança que um dia te reencontrasses e me encontrasses no teu reencontro.
Vivia numa euforia aguardando escutar a tua voz… Sorria… cantava assim que a ouvia…
Depois passei a viver os meus dias na nostalgia, relembrando os breves momentos que passámos, até me deixares de falar…
A dor foi atroz!…
Como poderias sair assim da minha vida sem sequer dizer adeus? Apenas soou um vago até breve.
Chorei desesperadamente ao acordar do meu sonho, ao ver que afinal não me querias ao teu lado, ao ver que afinal a força da paixão só a mim cabia.
Abandonei-me pelo cansaço. Não podia esperar mais por ti. Soubeste que a minha alma gritava e nunca me secaste as lágrimas que por ti brotavam do meu peito ferido.
Tantas vezes tentei em vão encontrar-te novamente, mas apenas te via nas minhas memórias, no álbum de recordações que agora guardo fechado para não mais me magoar.
Apossou-se de mim um negrume que só a melancolia me trazia, nos dias passados sem ti, onde nem o pôr-do-sol tinha magia, onde só a escuridão e o frio da noite tomavam conta de mim.
Um dia veio o alvorecer e, com ele, a paz e a serenidade regressaram, reinando outra vez no meu coração. Os seus raios espalharam por mim sentimentos de carinho e ternura que estavam adormecidos, passeiam-se por mim com o seu calor e fazem brilhar com novo alento o meu gélido e vago olhar que assim ficou com a desilusão vivida nos meus dias mal amados.
Agora já não escuto com nostalgia as músicas que marcaram os nossos momentos. Essas melodias já não te pertencem. De ti apenas resta a lembrança, mas já não choro.
Ancoro agora num porto que me acolhe, que me dá forças para retomar a minha viagem. As águas começam a aquietar-se. Vislumbro um farol que me guia até nos dias de nevoeiro, mesmo quando as estrelas teimam em não cintilar.
Já despi o vestido de frágil menina. Sou mulher. Fortalecida.
Já não deixo que o frio me gele. Antes procuro o conforto nas palavras ou no silêncio do meigo olhar que me recebeu e aconchegou.
Fecho as janelas do passado e abro a porta do presente, caminhando com brandura ao longo da nova ala que se abriu, plena e cheia de luz.
É lá que me refugio. É lá que começo a escrever uma outra história. É lá que escuto de outra forma as melodias que não mais são tuas e o vento que vai passando de mansinho e purificando a minha alma. É lá que sinto o toque suave do veludo das flores. É lá que vejo as cores que preenchem o meu olhar. É lá que sinto os odores que percorrem os meus sentidos. É lá que me sinto agora feliz, pois sei que as cinzas do meu rascunho permanecem do lado de fora da janela que me obrigaste a fechar e que o vento levanta levemente, apartando-as de mim…
domingo, 31 de agosto de 2008
Um dia...
Um dia…
Um dia sonhei…
Um dia vivi um pesadelo…
Um dia acordei… desiludi-me…senti-me livre…
Um dia voltei a sentir-me aprisionada numa quimera que só existia dentro de mim. Pura ilusão!
Despertei e chorei lágrimas de dor que saíam do meu coração sem que encontrassem um local para repousar a minha alma. Soltavam-se noite e dia sem descanso, encurralavam-me na minha solidão, brotavam dos meus olhos, escorriam pelo meu rosto, que nem os raios de sol confortavam com o seu eterno calor.
Um dia tu vieste ao meu encontro. Secaste-me as lágrimas. Ancorei no teu olhar, prendi-me no teu abraço, naveguei ao sabor dos teus beijos de ternura que há muito esperava receber.
Um dia escutei sem dor as músicas que me ensinaste a ouvir…
Um dia aprendi que muito se pode aprender escutando o nosso silêncio.
Um dia serenei aconchegada pala lua e pelas estrelas que nos embalaram na praia deserta.
Um dia ouvi o murmúrio do mar na noite calma.
Um dia vi o nevoeiro dissipar-se, dando lugar ao pôr-do-sol radiante beijando o mar imenso, tal como a magia dos teus ternos beijos que chegaram de mansinho para apaziguar o meu pranto e secar as minhas lágrimas.
Um dia vivi… um dia fizeste-me sonhar…
Vivi um sonho que julgava só os sonhos poderem dar e desejei não acordar.
Um dia voltaste a fazer-me sorrir e chorar também. Mas agora não é um choro de lamento. É um libertar de emoções que nunca antes senti, ao viver este sonho que nunca antes sonhei, pois cuidei não existir…
Revivo cada instante, espelha-se a paz no meu olhar, a esperança no meu rosto, a calma no meu corpo, a quietude e o sossego no meu coração.
Respiro cada odor deixado em cada recanto do meu pensamento.
Ouço as baladas que percorrem todo o meu ser, sem me levar ao cansaço.
Sinto na pele o veludo das rosas que me devolveram o sorriso.
Toco as pétalas frescas que me lembram o teu toque suave e guardo-as como um tesouro.
Olho para as suas cores que me recordam o teu meigo olhar, o teu sorriso encantador…
Adormeço aconchegada pela luz ténue das velas que nos guiaram no sonho que um dia me fizeste viver, do qual eu não queria acordar.
Adormeço na esperança de um dia surgir um outro dia, um outro sonho, onde não precise de fechar os olhos para poder sentir os perfumes que me rodeiam, para poder escutar os sons que pairam em cada lugar onde vou e que me acalmam, para poder pintar a minha vida com as cores que me ofereceste, para poder sentir o toque aveludado do carinho que só tu me sabes dar, para poder escutar de novo o nosso coração bater no mesmo compasso.
Adormeço com o sorriso com que um dia me deixaste, através dos momentos mágicos que construíste e que me devolveu a felicidade que julgava ter perdido um dia.
Mitigaste-me o sofrimento que um dia me assolou por um sonho que só eu tive, que não consegui viver e que se tornou melancólico.
Resido agora no dia inolvidável com que me presenteaste e que ocupa o decorrer dos meus dias e me inspira a escrever estas palavras que se soltam dos pensamentos esculpidos na minha memória e que fluem acompanhados das baladas que escutámos juntos, agora que estás distante do meu olhar, porém cada vez mais junto do meu peito.
Revivo a cada instante esse dia que nenhum dia irá arrancar da minha lembrança.
Um dia que será para sempre um dia…
domingo, 24 de agosto de 2008
Acalmar
Sinto-me envolvida pelo carinho de mil estrelas saídas dos teus lábios.
A Lua afaga-nos com o seu encanto sereno.Escutamos o mar que murmura sons sussurrantes, como suspiros num vai-vém imparável que me embala na areia fina.A noite é mágica.
Nada dizemos, apenas ouvimos.O nosso silêncio é selado com o que há muito se anunciava através da ternura emanada dos nossos cúmplices olhares.
Inalamos o sossego que paira no ar e que mistura com o odor da maresia.Espelha-se a paz no nosso olhar.
O nosso silêncio continua…
Passeiam-se lágrimas no meu rosto.Emoção? Medo? É uma sensação que não sei descrever.
Aconchego-me nos teus braços numa tentativa de não me escapar no frio da noite. E fico…
Secas-me as lágrimas com a promessa da tua amizade eterna, pois mais não me poderás oferecer.
Sou agora menina assustada no teu colo, recebendo com ternura o teu carinho incondicional, quando te dizes incapaz de me dar o Sol ou a Lua. Aprisiono-o num local só meu, de onde não quero partir, pois dele preciso como se de ar se tratasse para poder viver…
Vivo este momento de forma plena, mas não o suficiente como se não existisse amanhã, visto que a razão é mais forte para o permitir.
Ao teu lado os meus temores dissipam-se, tal como névoa nas manhãs que adivinham um dia de calor revigorante.
Contigo sinto os raios de Sol acariciarem-me o rosto e a enternecerem o nosso olhar.
Uma brisa suave vagueia pelo meu corpo e faz-me arrepiar de mansinho, trazendo-me apenas o sorriso da quietude da alma.
Todos estes sentimentos me percorrem…
O medo de voltar a sofrer mais uma desilusão, que por vezes me assalta, esconde-se por instantes no meu pensamento, enquanto estás por perto. Esqueço o que me atemoriza.
Estou em paz… és o bálsamo que me serena a alma e acalma o espírito. Não quero sair deste estado.
Quero continuar a sentir-me envolvida pelo teu carinho e escutar o nosso silêncio, aconchegados pelo luar.
É tarde… temos que voltar. Chama-nos a razão…
Despede-se de nós a Lua e as estrelas e eu volto para o meu leito que me espera vazio para que eu possa descansar o meu corpo e, agora sim, acalmar a minha alma…Deixo-me embalar pelo meu sono tranquilo, sou vencida e adormeço…Consigo acalmar…
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